No “Estadão Analisa” desta quinta-feira, 08, Carlos Andreazza fala sobre os acontecimentos após o primeiro turno das eleições deste ano.
Ainda na ressaca do resultado das urnas, dois influentes integrantes do PT baiano conversavam em um restaurante em Brasília:
“Tirem o microfone e as redes sociais de Janja e o presidente Lula volta a ter chances de reverter o quadro”.
A Coluna do Estadão presenciou a cena, que foi seguida desta observação:
“O problema é que ninguém tem coragem de falar isso para o presidente”.
A queixa era sobre a participação da primeira-dama, Rosângela da Silva, na campanha em Salvador.
Em um grande ato público, ela resolveu atacar Nikolas Ferreira (PL-MG), chamando de “piá de bosta” aquele que, dias depois, se tornaria o deputado federal mais votado do país, com 3,1 milhões de votos.
Ou seja: em vez de impulsionar o marido, deu palanque digital para a oposição.
No dia seguinte, foi a ex-ministra e ex-senadora Kátia Abreu, que comanda o PT no Tocantins, que teve coragem de falar.
Não diretamente ao presidente, mas em alto e bom tom num encontro do PT, para a mensagem chegar a Lula.
E suas declarações passaram a ser tratadas como um “desabafo coletivo no PT”.
A ex-senadora criticou a postura protagonista de Janja, que por vezes se sobrepõe a Lula.
Listou deslizes como o fato de a primeira-dama cantar música gospel em comícios, embora não seja evangélica.
Na reta final do primeiro turno, Janja também usou uma medalha de Nossa Senhora Aparecida após boatos sobre a padroeira.
A primeira-dama exibiu o colar com a imagem da santa católica em ato público na sexta-feira, 28, ao lado de Lula, e logo virou alvo de críticas por suposto oportunismo religioso, já que nunca se declarou católica, e sim praticante da umbanda.
Do outro lado, a necessidade de construir pontes com o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) e o receio de municiar a oposição com a tese de que o governo Lula, em dobradinha com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tentaria um “golpe judicial” caso Flávio seja eleito presidente fez a Polícia Federal arquivar rapidamente o pedido de investigação sobre a suposta interferência dos Estados Unidos na eleição do Brasil.
O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, declarou que havia iniciado um procedimento para averiguar se houve ingerência externa no pleito.
Horas depois, quando as urnas mostraram vitória de Flávio sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno, os bolsonaristas dispararam o alerta.
O termo “golpe judicial” começou a circular em conversas reservadas no Supremo e no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Andrei foi chamado para uma reunião no gabinete do ministro Alexandre de Moraes na terça-feira, 6.
No encontro extra-agenda, a conclusão foi de que não havia respaldo do TSE, da Procuradoria-Geral da República e nem de observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) para sustentar a investigação. Portanto, insistir no caso traria mais problemas para o STF, especialmente aos ministros ligados a Lula. E a orientação agora é tentar criar pontes com Flávio. Procurado por meio da assessoria, Moraes não se manifestou.
A PF confirmou o arquivamento nesta quarta-feira, 7. O pedido de investigação havia sido provocado por uma representação da Advocacia-Geral da União (AGU).
Acompanhe Estadão Analisa com o colunista Carlos Andreazza, de segunda a sexta-feira, o programa traz uma curadoria dos temas mais relevantes do noticiário, deixando de lado o que é espuma, para se aprofundar no que é importante
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