Já não é só o Kansas: o mapa republicano que reflete um Trumpismo em decadência

 

Há semanas em que a política norte-americana parece escrita à pressa, e esta é uma delas: com as eleições intercalares de novembro no horizonte, os republicanos de Donald Trump veem estados que davam por seguros transformarem-se em campos de batalha, enquanto os democratas, apostados em expandir o mapa, vislumbram vitórias onde há uma década só havia deserto. Do Texas, onde o senador Ted Cruz enfrenta o fantasma de uma candidatura democrata sedutora e Ken Paxton ensombra a máquina republicana, ao Kansas, ao Ohio, ao Alasca, à Carolina do Norte e ao Michigan, desenha-se um mapa em que o trumpismo já não é sinónimo de domínio automático. Pelo meio, um momento de pura exasperação, captado em vídeo: um Trump irritado, a ser questionado por um jornalista sobre a razão de não ir ao Kansas, responde com insultos pessoais em vez de argumentos. O episódio ilustra a tensão de um partido que, entre a nostalgia de um poder absoluto e a erosão da participação eleitoral, pode estar a descobrir que a maré, afinal, também recua.