As operações especiais para Trump devem ser sempre ao sábado e, de preferência, enquanto decorrem negociações e com ultimatos em contagem decrescente. Foi assim a 3 de janeiro, na Venezuela, e foi assim a 28 de fevereiro, no Irão. As comparações só acabam por aqui, porque as pessoas do regime iraniano em quem a Casa Branca estava a pensar para assumir o poder, como aconteceu na Venezuela, já não estão lá. Trump foi muito claro, quando lhe perguntaram sobre quem ia liderar o Irão quando a guerra terminasse: “A maioria das pessoas que tínhamos em mente estão mortas”. Para o regime iraniano, sobreviver já é uma grande vitória.
Quando a guerra vai terminar é coisa que ninguém sabe e a duração do conflito, juntamente com a capacidade do Irão retaliar e alargar a guerra a toda a região do golfo pérsico, serão determinantes para a evolução da economia global, com especial destaque para as economias da Europa e da China, mais dependentes de energia importada. De grosso modo, um quinto do petróleo e do gás natural passa pelo estreito de Ormuz.
Uma Europa dividida entre os que recusam colaborar com Trump nesta guerra sem mandato internacional, os que ficam a meio da ponte e os que apoiam. Sobram as ameaças do inquilino da Casa Branca a Espanha e sobra também, a despropósito no contexto deste conflito, o anúncio de Emmanuel Macron de que a França admite aumentar o número de ogivas nucleares e estacionar algum desse armamento noutros países da Europa, como factor de dissuasão perante a ameaça russa.
Está com o Bloco Central, a moderação da conversa entre Pedro Marques Lopes e Pedro Siza Vieira é de Paulo Baldaia. A sonoplastia é de Gustavo Carvalho.

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