A Vida não é o que ApareceA Vida não é o que Aparece

António Raminhos: “Tenho piadas superagressivas que nasceram em tempo de tensão”

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A Vida não é o que Aparece

Entrevistas sobre a vida que vemos e mostramos nas redes sociais, com Inês Duarte de Freitas.
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António Raminhos foi jornalista de Desporto n’A Capital, mas há já 20 anos percebeu que, se calhar, este ofício era demasiado sério para si. Estreou-se na comédia stand-up em 2006 e nunca mais parou. Na televisão foi um dos rostos do 5 para a Meia-Noite, na RTP, e nos palcos já fez espectáculos como As Marias sobre a sua dinâmica familiar ou mais recentemente Volto Já sobre o seu medo de morrer. É ainda autor do podcast Somos Todos Malucos e, só no Instagram, tem mais de um milhão de seguidores.

Foi com o humor sobre a parentalidade que Raminhos (como prefere que o chamem) se tornou conhecido dos portugueses. Fazia vídeos com as duas filhas mais velhas que colocava no YouTube, onde atingiam os milhares de visualizações, numa altura em que “não sabíamos tanto” sobre os perigos da exposição das crianças. “Quando comecei a ter mais noção de o que são as redes sociais, comecei a pensar muitas vezes que tinham ficado traumatizadas. Por outro lado, sei que não aconteceu porque elas gostam de ver os vídeos”, analisa o humorista, em entrevista no podcast A Vida Não É o Que Aparece.

Apesar de já não partilhar tanto a rotina familiar, ainda mantém o humor como uma ferramenta de parentalidade. “É simplesmente uma maneira de relativizar e tirar algum peso a momentos que são deveras difíceis”, defende, explicando como vai educando as três filhas para os perigos das redes sociais. “Faço questão de lhes mostrar as mensagens agressivas que me mandam para entenderem que os amigos reais fazem muito mais sentido do que os virtuais. Há muita gente que está atrás do teclado e utiliza essa camuflagem para deitar cá para fora coisas que deviam ser feitas em terapia”, lamenta.

Ainda assim, nunca bloqueou ninguém no Instagram, nem pretende fazê-lo, apesar de receber comentários de ódio diariamente até sobre a sua saúde mental — sofre de perturbação obsessivo-compulsiva e fala sobre o tema não só nas redes sociais, como nos seus espectáculos. “Disseram-me: ‘Este gajo como não tinha graça nenhuma agora diz que tem problemas de saúde mental para ver se ganha dinheiro’”, exemplifica.

No humor não há temas “seguros”, nem temas proibidos, diz, considerando “o limite acaba por ser se tem piada ou não”. E declara: “O humor depende muito mais de quem o recebe do que de quem o faz”. Independentemente do conteúdo, Raminhos reconhece que o humor é uma estratégia de defesa não só para lidarmos com os nossos fantasmas, mas também com o mundo. “A única maneira de combater a loucura em que o mundo está é relativizar para termos alguma normalidade. Há piadas muito agressivas que nasceram em tempo de tensão.”


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