Filipa Gomes cresceu no campo, como a própria diz, entre vacas e couves. Sempre adorou comer, mas só começou a cozinhar muito mais tarde. Quis ser designer de moda e acabou se tornar publicitária. Isto até ao dia em que participou num casting do 24Kitchen e se tornou apresentadora do Prato do Dia. Seguiram-se Cozinha com Twist e Os Cadernos da Filipa, transformados também em livros de receitas. Hoje é um dos rostos mais conhecidos da culinária portuguesa e também ensina a cozinhar os seus mais de 525 mil seguidores.
Foi há mais de uma década que Filipa Gomes apareceu no ecrã e a sua imagem, bem como o tom coloquial que utilizava nos programas, surpreenderam os mais conservadores do meio da cozinha – nunca se intitulou chef e ainda hoje prefere ser chamada de cozinheira e criadora de conteúdos. “Por que é que tens as unhas pintadas? Por que é que estás de batom? Por que é que estás assim vestida? Por que é que estás tão arranjada?”, reproduz, falando de algumas críticas que ouvia, muitas vezes sobre o seu corpo.
O seu corpo ainda continua a ser tema nas caixas de comentários, até nos vídeos de receitas, onde os seguidores sentem “legitimidade” para falar da sua forma física, diz. “É um tema muito delicado para mim. É pública a minha luta constante com o peso, com as minhas medidas, o ser gorda ou não…”, desabafa no podcast A Vida Não É o Que Aparece, onde garante que nunca deixou que as inseguranças se reflectissem no trabalho, apesar de pesarem na saúde mental.
Foi sempre essa a sua prioridade: dar o melhor no trabalho. “Tinha muita urgência em não deixar cair os pratos todos que tinha posto no ar. Mais o peso de querer ser a mãe perfeita. Queria que tudo fosse perfeito e isso passou uma factura muito grande a nível psicológico”, conta, falando de um burnout por que passou recentemente. “Pareço sempre esta pessoa superalegre e superentusiasmada, mas tenho uma tendência para a melancolia e para a tristeza”, confessa, deixando uma mensagem : “Pus-me muito nesse papel da mãe que tudo pode. Não é preciso”.

Bárbara Tinoco: “Odiei estar grávida, acho que não há mal nenhum nisso. E amei ser mãe”
57:10

Bruno Gonçalves. "O politicamente correcto destruiu a base do diálogo" nas redes sociais
1:05:00

António Raminhos: “Tenho piadas superagressivas que nasceram em tempo de tensão”
59:10