Como se define, afinal, a direita portuguesa? Durante décadas, parece ter sido mais pela reação do que pela afirmação: reagindo à esquerda, tentando libertar-se da memória do Estado Novo e disputando permanentemente a interpretação da sua própria história.
Rui Ramos é doutorado em Ciência Política pela Universidade de Oxford, especialista em história política e cultural de Portugal dos séculos XIX e XX, historiador, ensaísta e coautor, com João Miguel Tavares, do podcast E o Resto é História.
Para compreender a direita portuguesa, Rui Ramos percorre a sua história, as influências francesas e anglo-saxónicas, o legado de Francisco Sá Carneiro, a evolução do pós-25 de Abril e as transformações mais recentes, marcadas pelo aparecimento de novos partidos e por uma redefinição do espaço de combate político e intelectual.
À medida que regressam diferenças políticas mais marcadas, regressa também o debate sobre a polarização. Rui Ramos convida a inverter a pergunta: e se aquilo que distingue a democracia não for a ausência de conflito, mas a capacidade de o acomodar? A possibilidade de projetos diferentes disputarem legitimamente o espaço público, de ouvirmos ideias de que não gostamos e de reconhecermos ao adversário político o mesmo direito de procurar convencer os eleitores.

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