Professora de Ciência Política na Universidade do Minho, doutorada em Filosofia Social e Política e investigadora nas áreas da teoria política, da democracia e das políticas de identidade, Patrícia Fernandes tem acompanhado de perto as guerras culturais e as transformações ideológicas das democracias ocidentais.
O tema central da conversa é o wokismo: de onde vem, como passou das universidades norte-americanas para o centro do debate público e por que razão se tornou um dos principais fatores de polarização política no Ocidente, funcionando também como um importante elemento agregador de diferentes direitas na sua rejeição.
Partindo das raízes intelectuais da Nova Esquerda, o episódio percorre a longa marcha sobre as instituições, a cultura do cancelamento, a erosão da liberdade de expressão no meio académico e a ascensão das políticas identitárias. Na tentativa de compreender este fenómeno, a conversa passa ainda pelas transformações na educação e na parentalidade, pela psicologização da sociedade, pela cultura da superproteção, pelo estatuto da vítima e pela crescente dificuldade das novas gerações em lidar com o conflito, a diferença e a adversidade.
A conversa termina com um olhar sobre as consequências políticas deste fenómeno: poderá o anti-wokismo conduzir a uma direita que reproduza os métodos e as lógicas que critica? E que futuro resta ao liberalismo perante o regresso das políticas de identidade, da comunidade e do sentimento de pertença ao centro do debate político?

José Bento da Silva: “Estamos a viver a ilusão de achar que o ser humano desaparece ou que fica reduzido a categorias manipuláveis. Essa é a tentação da modernidade, da IA”
44:48

Rui Ramos: “A direita é mais cética em relação à ideia de que o poder político pode criar um mundo novo. A esquerda sempre acreditou nisso”
1:23:32

Direitas europeias: é mais aquilo que as une ou aquilo que as separa? A opinião de João Marques de Almeida
1:02:44