A presença feminina ainda é pequena em setores historicamente ocupados por homens e a Transpetro é um exemplo desse desafio. Hoje, as mulheres representam apenas 15% do quadro de funcionários da companhia, enquanto os homens são 85%.
Para tentar mudar esse cenário, a empresa estabeleceu metas progressivas para ampliar a participação feminina em cargos de liderança até 2030. As ações incluem programas voltados ao desenvolvimento de lideranças femininas e mudanças nos processos internos de recrutamento e seleção.
Em entrevista ao Podcast Canaltech durante o Summit Mulheres nas Profissões, Juliana Orta, gerente executiva de Recursos Humanos da Transpetro, explicou que o desafio começa antes mesmo da contratação.
Por ser uma empresa estatal, a admissão de funcionários acontece por meio de processos seletivos públicos. Isso limita a possibilidade de a companhia escolher diretamente quem será contratado. A estratégia, segundo a executiva, é estimular mais mulheres a disputar essas vagas.
Entre as iniciativas estão visitas a universidades e centros técnicos para apresentar oportunidades profissionais e incentivar candidatas a participarem dos processos seletivos. A companhia também mantém convênios para apoiar a formação de mulheres na engenharia.
Outra mudança está prevista para um novo processo seletivo público da Transpetro, que contará com um mecanismo de paridade de gênero. A proposta é aumentar o equilíbrio entre homens e mulheres entre os profissionais selecionados.
Dentro da companhia, a estratégia também passa pelas posições de liderança. A Transpetro possui metas definidas pelo conselho de administração e acompanhadas anualmente para aumentar a representatividade feminina até 2030.
Tecnologia e inteligência artificial também começam a fazer parte dessa transformação. Embora a IA não seja utilizada na admissão por processo seletivo público, a Transpetro já recorre à tecnologia e à automação em etapas de processos internos para posições de liderança. Segundo Juliana, porém, o uso ainda acontece com cautela e acompanhado de avaliações humanas.
Para a executiva, transformar um ambiente historicamente masculino exige principalmente consistência. Mudanças culturais levam tempo, e a expectativa é que a representatividade avance até que metas específicas de gênero deixem de ser necessárias.
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Este podcast foi roteirizado e apresentado por Fernanda Santos e contou com reportagens de Marcelo Fischer, Nathan Vieira e André Magalhães. A trilha sonora é de Guilherme Zomer, a edição de Yuri Souza e a arte da capa é de Erick Teixeira.

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