EUA e Israel bombardeiam o Irão há mais de uma semana. A maior potência militar do mundo entrou em guerra sem autorização do Congresso, sem mandato das Nações Unidas, sem coligação internacional e sem uma justificação que se mantivesse coerente durante mais de vinte e quatro horas. Este episódio com Francisco Pereira Coutinho, professor catedrático e autor do livro Guerra, Mentiras e Direito Internacional, a propósito dos quatro anos da invasão e guerra na Ucrânia, parte dessa escalada militar para discutir o estado do direito internacional e a fragilidade da ordem multilateral. Não é a primeira vez, nem será a última, que o direito internacional é violado. Mas há uma diferença entre contornar as regras e assumir, abertamente, que estas são um empecilho. Washington e Telavive falam em mudança de regime, mas o Irão não é a Venezuela: é um país de noventa milhões de pessoas, com centenas de milhares de guardas revolucionários (que sabem que serão mortos com a queda do regime), uma estrutura de poder colegial e profundamente ideológica e um instinto de sobrevivência que os ataques externos tendem a reforçar, não a enfraquecer. Ninguém parece ter um plano para o dia seguinte e a experiência do Iraque e da Líbia deixa-nos péssimos exemplos do que acontece quando se destrói um Estado. Ou o caos ou um regime mais brutal para restabelecer a ordem.

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