Nos últimos dias abundaram naturalmente as tentativas de definir o presidente eleito António José Seguro em categorias simples. Os portugueses estão ávidos de informação sobre o seu novo chefe de Estado. Precisam de o conhecer para lá da moderação que lhe moldou a campanha, do apego à democracia que lhe atribuem, ou das suas mensagens políticas principais. Desde a sua vontade de ser o presidente de todos os portugueses ao presidente que quer um chão comum onde o sentimento de união do país se possa consolidar. Mas, afinal quem é o novo Presidente?
Para lá destas apreciações superficiais, do tipo homem-moderado, democrata ou homem mais voltado para a conciliação do que para o conflito, subsistem dúvidas. Como não podia deixar de ser. Seguro já disse que não será oposição. Quererá isso dizer que se vai comportar como o menino das alianças, sempre de mão dada com o Governo? Há quem recorde o episódio da abstenção violenta na votação do orçamento de 2012 para tecer esse cenário. Vale a pena recordar que essa sua decisão foi um acto de enorme coragem política. O PS mais radical jamais lhe perdoou.
Seguro disse também que tem a estabilidade política como um valor absoluto, e tudo fará para a promover. Não demitirá um governo caso o seu orçamento seja chumbado e promete ser um agente empenhado na busca de compromissos. Isto quer dizer o quê? Que preferirá a confusão duradouro às clarificações que por vezes são necessárias?
Eleito com um extraordinário capital político, António José Seguro é, como diz António José Teixeira, jornalista da RTP o presidente homem normal. Terá a sensatez, a visão, a inteligência para presidir a um país com enormes desafios pela frente? Temos de o conhecer melhor e para esse efeito pedimos ajuda à jornalista do PÚBLICO Maria do Céu Lopes. A Maria acompanhou par e passo as duas campanhas de António José Seguro.

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