Não há forma outra forma de o dizer: o PSD é o grande vencedor das eleições autárquicas. Ganhou nas duas principais cidades do país, Lisboa e Porto. Conquistou Sintra e Gaia. Resistiu em Braga e em Aveiro. Apagou a distância de 34 câmaras que tinha em relação ao PS nas eleições de 2021 Não há outra forma de o dizer: o PS resistiu ao evitar a repetição da hecatombe das legislativas de Maio. Ganhou Viseu, Bragança, Évora ou Faro. Conservou o seu estatuto de força de primeiro plano no território nacional. Também não há outra forma de o dizer: a CDU continua a ser a terceira força autárquica do país. Perdeu Évora e Setúbal, deixando de ter poder em qualquer capital do distrito e, no total, viu um terço das suas autarquias mudar de cor política. Mas olhando para a sua erosão no poder nacional, manteve-se com a cabeça fora da água. Outra constatação iniludível: o CDS pode estar numa situação de agonia nas eleições nacionais, mas continua a mostrar uma extraordinária capacidade de resistir no poder local.
Quem não tem absolutamente nada a celebrar nestas eleições é o Chega. Depois de ganhar em 60 concelhos em Maio e de conquistar a segunda maior bancada parlamentar, sai destas eleições com apenas três câmaras: São Vicente, Albufeira e o Entroncamento. André Ventura tinha prometido 30, pelo menos antes de se aperceber na campanha que a implantação do seu partido no terreno era uma miragem. Mas nem por isso deixou de reivindicar uma vitória.
O que nos mostram estas eleições? Que interpretações nos sugerem sobre a política nacional, se é que é possível fazer extrapolações de umas eleições para outras? E, essencialmente, que ilações podemos tirar destas eleições sobre a saúde da democracia?
Para discutir estas questões, temos connosco David Pontes, director do PÚBLICO.

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