O discurso de despedida de Joe Biden deixou no ar uma perturbante ameaça não apenas para a democracia na América, mas para a democracia. "Hoje, uma oligarquia está a estabelecer-se na América, com extrema riqueza, poder e influência que ameaçam realmente toda a nossa democracia, os nossos direitos e liberdades elementares, e a justa oportunidade para todos", disse o Presidente norte-americano.
Biden não identificou o destinatário da mensagem, mas não era preciso. Desta vez, Donald Trump não se faz apenas acompanhar por ideólogos do radicalismo da direita, de conspiracionistas ao lado de figuras conhecidas e respeitáveis do partido Republicano. Com ele vão para Washington novos radicais, velhos conspiracionistas e a elite dos ultra-ricos.
Depois de garantir o poder no Congresso e no sistema judicial, a subserviência da corporate America ao poder de Trump justifica-se tanto pelo medo de represálias como pela expectativa dos mais ricos ficarem ainda mais ricos. E o que caberá aos outros norte-americanos, em especial aos mais pobres e afastados que acreditaram na mensagem de Trump sobre o regresso da velha América para todos?
António Costa Pinto é historiador e cientista político. Vamos saber como é que ele leu os avisos de Joe Biden. Teremos a democracia aprisionada pelos oligarcas?

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