Se nas últimas semanas tentou marcar uma viagem para Ponta Delgada ou para a Ilha Terceira ou dos Açores para o continente, é muito provável que tenha apanhado um susto. A prometida democratização do céu açoriano, fruto da liberalização do espaço aéreo em 2015, sofreu um revés profundo nas últimas semanas.
A saída da companhia área de baixo custo Ryanair do arquipélago lançou o alerta. Com menos oferta, os preços dispararam. A crise no Médio Oriente também não ajudou. Para quem visita as ilhas, os valores tornaram-se proibitivos. Para quem vive nas ilhas, o isolamento ganha outros contornos que nem as novas regras do subsídio de mobilidade parece conseguir corrigir.
Sejamos claros, a Ryanair só voava para os Açores porque o Governo regional lhe pagava. Num jogo constante entre quem dá mais, a companhia irlandesa de baixo custo preferiu outros destinos e abandonou as ilhas de São Miguel e a Terceira.
Agora, para voar entre os Açores e o continente só através da TAP ou da SATA, ambas companhias públicas. Nenhuma preencheu o vazio deixado pela Ryanair e também não apareceu nenhum privado a querer cobrir estas rotas.
Entretanto, um sector turístico em crescendo nos últimos anos, percebe agora que nenhum crescimento é ilimitado. Há, por estes dias, alojamentos locais que não conseguem preencher as reservas, rent-a-car a funcionar meio gás e restaurantes quase sem turistas.
Hoje, vamos directos Ponta Delgada à boleia do correspondente do PÚBLICO nos Açores, Rui Pedro Paiva.

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