Desde Memória de Elefante, o seu primeiro romance, de 1979, que António Lobo Antunes criou uma “coisa muito, muito nova” na literatura portuguesa do pós-25 de Abril, como escreveu ontem Isabel Lucas, crítica literária do PÚBLICO, no obituário que lhe dedicou.
António Lobo Antunes, que quis ser jogador de hóquei do Benfica, que foi psiquiatra e que sempre foi escritor, confessou, numa das entrevistas a Isabel Lucas, que tinha escrito dez ou 15 livros antes de publicar Memória de Elefante, rejeitado por várias editoras, e que todos eles tinham ido para o lixo.
A guerra colonial era o tema desse livro. Tema e trauma presente nos primeiros romances, experimentais e inovadoras na literatura da época, a partir da inspiração de William Faulkner. “Não me apetecia morrer na guerra porque tinha a certeza de que ia escrever livros como nunca se tinham escrito”, disse ele numa entrevista.
António Lobo Antunes, ao longo da sua carreira, embrenhou-se no aperfeiçoamento das suas vozes, da sua escrita, polifónica, até ao último dos seus romances, O Tamanho do Mundo, publicado em 2022. Foi um dos escritores nacionais mais premiados, mas faltou-lhe o Nobel.

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