Faltam três semanas para sabermos que vai suceder a Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Quando os resultados de domingo começam a ser digeridos, chega a hora de tentar entender as consequências que a primeira volta pode trazer para a situação política e analisar a correlação de forças entre os candidatos apurados para a escolha final de 8 de Fevereiro, António José Seguro e André Ventura. Numa eleição surpreendente, em que os favoritos ficam em lugares muito abaixo na tabela e o patinho feito da campanha, Seguro vence com uma boa margem, só Ventura foi capaz de conservar a sua posição entre as sondagens e as urnas de voto. O que revela a enorme fidelidade do seu eleitorado.
Há questões a ponderar para o futuro. A derrota do candidato do Governo prova que a relação entre o país e o Governo de Luís Montenegro está longe de ser incondicional. A dispersão do eleitorado da AD por Gouveia e Melo e Cotrim Figueiredo é um desafio para os estrategas do Governo. O poder do Governo para influenciar a escolha presidencial foi menos que nula: foi negativa, funcionou ao contrário.
E agora, qual a melhor escolha? Numa eleição que, mais do que um clássico esquerda/direita será uma batalha entre um candidato da esfera democrática e um candidato populista que há semanas pedia três Salazares para Portugal, adivinha-se muita paixão e muita incerteza. A ambiguidade de Montenegro, de Cotrim ou de Gouveia e Melo estabelece um padrão que vai ser muitas vezes invocado nos combates que se adivinham. Por esse lado, esta eleição cumpre as suas expectativas: vai ter uma enorme influência no futuro.
Vamos discutir o que aconteceu e o que pode vir a acontecer e para esse fim convidámos para este episódio o historiador e cientista político António Costa Pinto, presentemente Investigador Aposentado no Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa e Professor Convidado no ISCTE, Lisboa.

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