Especialista em marketing desportivo e diretor executivo do IPAM, Daniel Sá tem-se habituado a olhar para as grandes figuras do desporto como marcas. Presença assídua nos media nacionais e internacionais, e autor de vários livros sobre o tema, afirma que “Michael Jordan, no mercado americano, e David Beckham, na Europa, abriram a porta aos jogadores enquanto marcas globais”.
Em relação aos treinadores, não tem dúvidas: “Mourinho foi o primeiro treinador superstar.” Sobre Cristiano Ronaldo, e ao contrário da opinião generalizada, defende que a ida para a Arábia Saudita ou a recente visita à Casa Branca — onde esteve com Donald Trump —, apesar de muita contestação, não tiveram qualquer impacto negativo: “É uma marca que continua a crescer e já pouco precisa do futebol jogado”, revela.
Daniel Sá divide Ronaldo em quatro dimensões: “Há o jogador, depois vem o atleta que participa em publicidades, segue-se o influencer e, hoje, temos a fase do investidor. A marca atualmente vive mais destes três ‘Ronaldos’ do que daquele que está dentro do campo.”
Sobre a permanência de Ronaldo na Seleção Nacional, Daniel Sá não entra na conversa dos adeptos, mas fala como marketeer: “Por mim, Ronaldo jogava na Seleção até aos 80 anos. Em termos de contratos, prémios, direitos televisivos, a Seleção vale muito mais por ter Ronaldo. É assim há muito tempo. Ele tem alimentado a Seleção nesse sentido.”