Neste episódio, conversamos com Madalena Sá Fernandes sobre o seu novo livro Sótão, ainda antes de chegar às livrarias, e sobre a forma como a sua vida se reflete na escrita. Partindo de uma matéria profundamente biográfica, a autora assume uma escrita fragmentária e “desarrumada” como forma de recusar a imposição de uma ordem, mas sem perder unidade ou tensão narrativa.
Fala também do seu processo pessoal, incluindo a psicoterapia e uma relação com a escrita centrada mais na elaboração do que na resolução: as experiências não se fecham, regressam em ondas e continuam a ser pensadas e narradas.
Ao longo da conversa, sublinha a sua preferência por uma escrita contida, sem excesso de sentimentalismo, procurando “narrar de forma seca”, sem manipular emoções. Houve ainda espaço para momentos mais lúdicos e filosóficos, com referências a Platão e à atualidade política, e para um jogo de escolhas simbólicas, onde um búzio surge como imagem de abrigo e casa, uma metáfora que ecoa o universo íntimo de Sótão.

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