Neste episódio vamos ser desafiados a refletir sobre a solidão na nossa era de isolamento, enquanto assistimos à ascensão da nova extrema-direita em várias partes do mundo. Samantha Rose Hill, filósofa americana especializada no pensamento de Hannah Arendt, afirma: “Nunca pensei, ao longo da minha vida, tendo estudado isto profissionalmente, que testemunharia o alinhamento entre o que hoje se chama antissemitismos e a nova extrema-direita.”
Fala-nos da solidão como condição subjacente a todos os movimentos totalitários e diz-nos que “agora vivemos num mundo onde as pessoas estão isoladas e com medo umas das outras o tempo todo”. Embora vivamos uma forma estranha de solidão, Samantha, inspirada no pensamento de Arendt, insiste que é importante não se deixar levar pela maré. A ideologia é a maré que nos afasta da experiência de estar no mundo como um ser humano único que vive com os outros.
Nesta palestra, há um apelo à ação e à coragem. A coragem, como disse Arendt no seu livro “Condição Humana”, é a virtude política por excelência, porque quando se entra na esfera pública e se fala, pode-se ser acusado de estar errado. Pode ser-se morto, pode sentir-se terror. É preciso coragem para falar. É preciso coragem para falar em tempos sombrios. É preciso coragem para agir.
Samantha conclui que ninguém sabe o que vai acontecer e apela: “Das pessoas que dizem que sabem o que vai acontecer, fuja, bandeira vermelha, fuja. Pessoas que dizem: 'Eu tenho uma solução para isso'. Fuja.”

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