A nostalgia Kadhafi emerge 15 anos passados da morte do ditador líbio

 

Na Terra dos Cacos

Como dizia Eduardo White, os países africanos são hoje cacos dos sonhos que partiram ontem. António Rodrigues e Elísio Macamo discutem, a cada duas se… 
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Duas efemérides marcam o novo episódio de na Terra dos Cacos, o podcast sobre temas africanos do jornal PÚBLICO. Na primeira parte, falamos dos 15 anos da morte de Muammar Kadhafi, da tentadora nostalgia de o recuperar numa Líbia que segue dividida em duas e sem democracia possível. E na segunda, a entrevista gira em torno dos 40 anos do desastre de Mbuzi, a queda do avião que transportava o primeiro Presidente de Moçambique e a sua comitiva e que redundou na morte de 34 pessoas, incluindo Samora Machel.

Tanto numa conversa como na outra, há uma ligação pessoal ao tema. No caso da Líbia, a conversa parte da experiência pessoal do professor Elísio Macamo que, em 1984, foi enviado como tradutor intérprete para a Líbia acompanhando militares moçambicanos que iam fazer formação a convite do Presidente líbio.

Era para ser uma estância de três meses, mas Kadhafi chateou-se com Moçambique por ter assinado o Acordo de Nkomati com a África do Sul do apartheid e cancelou a formação, recusando-se a repatriar os moçambicanos que ficaram nove meses na Líbia sem saber o que fazer.

Quanto a Moçambique, Óscar Monteiro, o nosso interlocutor é um quadro antigo da Frelimo, colega de liceu de Joaquim Chissano e que conheceu Samora Machel num campo de treino na Tanzânia em 1967; foi um dos negociadores da Frelimo para os Acordos de Lusaca, assinados com Portugal, um dos seis ministros do governo de transição e ministro no primeiro Governo de Moçambique após a independência.

O episódio abre, no entanto, a falar do ex-Presidente Joseph Kabila, da República Democrática do Congo, que se juntou a uma nova aliança político-militar criada na semana passada no Leste do país, a Refundação da Nação, que inclui a Aliança Rio Congo e o grupo armado M23 apoiado pelo Ruanda.

Condenado à morte pelo Supremo Tribunal Militar da RDC no final de Setembro do ano passado, por traição e crimes contra a humanidade, pelo seu alegado papel na insurreição armada no Leste do país, Kabila quer agora marchar com os rebeldes em direcção a Kinshasa para derrubar o homem que lhe sucedeu no cargo, Félix Tshisekedi, se calhar, a única forma de escapar à execução.