Leiria foi palco de uma noite em que as únicas contas que escaparam à investigação eram as do humor: o palco foi o Tribunal da Comédia e o apresentador, juiz supremo do sarcasmo luso, despachou sentenças sobre tudo e todos – do preço dos combustíveis às calorias não declaradas dos almoços camarários. Entre comboios apertados e aeroportos que não levantam voo, o público viajou por todas as crises nacionais, inclusive a do cabaz alimentar, que agora já só desce se for pago em refeições por Isaltino Morais. Houve espaço para música, para Variações sobre o preço do barril e para conselhos de sobrevivência num país onde a melhor opção de transporte parece ser ir a pé, especialmente se for até à tenda de um restaurante de Oeiras (mas com a carteira escondida). Se esta não é a melhor terapia coletiva para quem perdeu a esperança na chegada do dinheiro dos apoios, pelo menos garante gargalhadas no imediato – nem que seja ao som do tradicional “eu ofereço-lhe um almoço”.

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