Em uma crônica, Manuel Bandeira escreve que a rua do Curvelo, onde morou de 1920 a 1933, "é uma ruazinha tranquila, e embora a dez minutos do centro da cidade parece um trecho de província".
A rua de uma quadra em Santa Teresa, no Rio, poderia ser um detalhe sem muita importância na biografia de Bandeira. No entanto, para Elvia Bezerra, pesquisadora de literatura brasileira, deve ser vista como um aspecto fundamental na sua formação e no seu destino de poeta modernista.
Bezerra diz que, imerso na atmosfera de província do Curvelo, um Manuel Bandeira recluso e tuberculoso redescobriu o encanto da rua —e esse universo de gente simples o arrancou do mundo fechado de poeta, se imbuiu nos seus versos e deu impulso a um dos períodos mais ricos da sua produção literária.
Nos anos em que Bandeira esteve lá, também moraram na rua, hoje chamada Dias de Barros, o poeta Ribeiro Couto e a psiquiatra Nise da Silveira, os três personagens a que a autora se debruça em "A Trinca do Curvelo".
Publicado pela primeira vez em 1995, o livro volta a circular em uma edição revista e ampliada, que incorpora fontes disponibilizadas nas últimas décadas, como a correspondência de autores modernistas.
Nesta entrevista, Bezerra explica como um encontro com Nise da Silveira se tornou o empurrão inicial do livro e conta o que descobriu ao investigar a vida e a obra de Manuel Bandeira, em especial as relações amorosas do poeta "ferozmente discreto", tema de dois ensaios inéditos incluídos na nova edição da obra.

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