Ao ouvir o nome Dercy, uma imagem costuma vir à cabeça: uma mulher de 70 ou 80 anos dizendo absurdos e emendando palavrões na televisão —ou mostrando os seios no programa de Hebe Camargo.
Não dá para fugir da caricatura de velha escrachada e indecente ao pensar em Dercy Gonçalvez. Ao mesmo tempo, não dá para reduzir a comediante, que morreu aos 101 anos em 2008, a essa personagem que se tornou inconfundível.
Neste episódio, Adriana Negreiros, autora da biografia "Dercy: a Diva Debochada", faz essa distinção e fala sobre as tantas contradições da atriz, que teve uma vida marcada pela tragédia e pela violência e encontrou no humor uma salvação.
Para a autora, poucos artistas brasileiros construíram uma relação tão visceral com o público como Dercy Gonçalves, mas a pecha de comediante imoral ou pornográfica impediu que a sua genialidade fosse reconhecida.
Negreiros fala sobre a postura anti-intelectual da atriz, artista da improvisação que era vista como rebelde nos palcos e dizia ter sido formada pela realidade dura do Brasil, não por qualquer influência europeia.
A autora também discute as posições preconceituosas de Dercy a respeito de feministas e pessoas LGBTQIA+, por exemplo, que contrastavam com boa parte das atitudes dela ao longo da vida, e explica por que a considera uma heroína decolonial pioneira.

Bruno Blecher: Agronegócio agora vê mudança climática como risco
37:56

Benjamin Moser: Nem Rembrandt ou Vermeer sabiam o destino que teriam
49:19

João Paulo Charleaux: Israel comete crimes de guerra em Gaza
53:33