Mais de 60 mil pessoas chegaram a Ceuta vindas de Marrocos nos últimos dias, naquela que é a maior crise migratória na fronteira entre os dois países desde 2021. A crise provocou mais de 70 mortos, obrigou Espanha a reforçar a segurança na fronteira e desencadeou uma disputa política, tanto em Madrid como em Ceuta, com a deslocação de dirigentes da direita e da extrema-direita a Ceuta.
As causas da vaga de entradas continuam a ser discutidas. Entre os factores apontados estão uma recente decisão do Tribunal Supremo espanhol sobre as chamadas "devoluções a quente", que alterou a forma como devem ser tratados os migrantes que chegam a nado a Ceuta. Além disso, o contexto diplomático entre Espanha, Marrocos e Argélia, marcado pela visita de Pedro Sánchez a Argel poucos dias antes da crise, é também apontado como um dos factores que ajudam a enquadrar este episódio.
Mas este episódio levanta uma questão que vai muito além da gestão das fronteiras. Estão os fluxos migratórios a ser usados como instrumento de pressão política? E o que revela o caso de Ceuta sobre a estratégia de países vizinhos da União Europeia e sobre a vulnerabilidade da política migratória europeia?
Neste episódio do Hoje, ouvimos o relato da enviada especial do PÚBLICO a Ceuta, Leonor Alhinho, e conversamos com Jorge Malheiros, professor da Universidade de Lisboa e especialista em geografia humana e migrações, para perceber porque é as migrações podem ser usadas como uma arma geopolítica.

Manosfera: o que liga o ginásio à misoginia e teorias da conspiração?
17:46

Crédito à habitação: regras apertam mas há boas notícias para quem tem 30-35 anos
16:59

Luís Neves falou. Chega para travar a crise?
18:27