Ali Asgari estava em Teerão quando começaram os ataques ao Irão. Tinha memória da guerra com o Iraque, da infância, mas diz que desta vez sentiu um medo que não esperava. Ouviu as explosões na cidade, viu a vida suspensa, a economia parada, a internet cortada, famílias sem conseguir falar durante semanas. Dez dias depois, saiu por terra, pela fronteira com a Turquia. Não fala como quem se despediu do país. Fala como quem vai voltar. O realizador iraniano estreia agora em Portugal “Divina Comédia”, uma sátira sobre um cineasta que tenta mostrar o seu filme num país onde a censura passa por comités, licenças, cortes, negociações absurdas e pequenas formas de humilhação. Os filmes de Ali Asgari não são exibidos no Irão, mas continuam a nascer de lá. No Fúria Épica, falamos com ele sobre guerra, censura, medo, dignidade e esperança. E sobre o humor como resistência, a comédia como maneira de tirar solenidade à máquina que decide o que pode existir

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