Parecendo que não, a Antiguidade Clássica dá sempre jeito. “Quis custodiet ipsos custodes?”, perguntava há quase dois mil anos o poeta romano Juvenal. Pergunta particularmente oportuna na semana em que tomou posse a comissão parlamentar de inquérito ao ministro que tutela as polícias; quase ao mesmo tempo o corpo de intervenção da PSP rachou cabeças, no Porto, para dispersar uma manifestação em protesto contra o problema da habitação. “Quis custodiet ipsos custodes?”, “Quem policia a polícia?”
E quem vai despejar deputadas que forçam a entrada num estúdio de rádio para onde não foram convidadas. Aconteceu em Coimbra com duas deputadas do Chega. Chamada a intervir, a polícia retirou-as do local. Sem ter rachado cabeças, porém. No PSD, a disponibilidade de Passos para regressar à política activa, caso as coisas corram mal ao governo, mereceu de Montenegro um conselho ortopédico: esperar sentado. Enquanto isso, Trump passou a comprar petróleo a Putin, ameaça recorrer à mãe de todas as bombas e acabou por impedir a transmissão em directo de um fuzilamento. Não terá querido oferecer um espectáculo gratuito aos talibans, que já tinham encomendado pipocas.

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