Petróleo a subir, juros a apertar, famílias a sufocar. O "Expresso da Meia-Noite" reuniu António Nogueira Leite, economista; Catarina Castro, especialista em mercados financeiros; Miguel Costa Matos, economista e deputado do Partido Socialista; e João Galamba, ex-secretário de Estado da Energia, para dissecar a tempestade perfeita que se abate sobre Portugal — e descobriu que, por detrás do debate sobre combustíveis e medidas de emergência, há uma questão muito mais funda e incómoda: o país continua a jogar ao dia da marmota, acudindo às crises com pensos rápidos enquanto adia as reformas que poderiam torná-lo verdadeiramente resiliente. As medidas anunciadas por Luís Montenegro — uma redução de IRS que vale 13 euros por mês para quem ganha 2.000 euros, e um bónus de Natal para pensionistas — foram desmontadas peça a peça. Do outro lado, as propostas do PS, nomeadamente a descida do IVA e do ISP nos combustíveis, foram acusadas de contradizer a filosofia climática que o próprio partido defendeu durante anos. Enquanto isso, o Banco Central Europeu prepara-se para novas subidas de taxas que os especialistas consideram economicamente discutíveis, a dívida soberana portuguesa caminha para os 4% de juro, e indústrias inteiras — do vidro à cerâmica — começam a olhar para Marrocos como alternativa. A única certeza: isto vai piorar antes de melhorar.

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