Há presidentes de câmara. E depois há Isaltino Morais. Cresceu em Trás-os-Montes, filho de agricultores, numa aldeia onde a pobreza se media em pães distribuídos a quem chegava à porta ao fim de semana. Perdeu o pai aos 14 anos e a mãe mais tarde, ficou sozinho em Bragança aos 12, foi à guerra em Angola, passou 14 meses na prisão e, aos 76 anos, tornou-se um fenómeno das redes sociais — sem nunca ter pedido por isso. Isaltino Morais, presidente da Câmara de Oeiras há mais de quatro décadas, sentou-se para uma conversa que começa numa canja de garoupa e termina em lágrimas, apesar da promessa feita a si mesmo de que não choraria. "Você tem uma partícula de luz", disse, no final, ao entrevistador. Entre memórias de pesadelos na prisão — comboios que passavam por cima dele e filhos que desapareciam no escuro dos sonhos —, da mãe que vendia oliveiras para pagar os estudos dos filhos, e de um abraço calculado que desarmava os castigos, o autarca mais longevo de Portugal recorda um professor que lhe disse que "nem toda a gente pode ser doutor". Isaltino Morais construiu uma vida que parece desafiar a lógica — e fez de cada cicatriz um argumento. "Se tu quiseres, és tudo", diz.

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