Há homens que passam a vida a ligar pessoas; Júlio Isidro passou-a a ligar gerações. Do céu aberto da aviação — onde aprendeu a olhar o mundo em perspetiva — aos estúdios de rádio e televisão, onde deu voz e rosto a décadas da história portuguesa, Isidro construiu uma carreira feita de curiosidade, rigor e humanidade. Na entrevista intimista ao Alta Definição, Isidro revisita episódios concretos: a paixão pela aviação, um fascínio que começou aos nove anos; a perda do pai cujo conhecimento e cultura geral o inspiraram; a importância da consistência e integridade no seu trabalho; o casamento tardio com Sandra e a responsabilidade em relação às filhas; o desprezo pela ostentação, a hipocrisia e a superficialidade, valorizando a sinceridade e a simplicidade; as mudanças nos tempos e nos jovens de hoje, sempre com compreensão e respeito. Aos 80 anos, Júlio recusa a ideia de reforma. O trabalho, para ele, é “fonte de juventude e sentido”. Como um aviador dos sonhos, ensina-nos que, mesmo quando a vida nos obriga a aterrar, há sempre um novo voo à espera.

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