Era um novo século e, com ele, vinham novas ambições. O futebol português, que no ano 2000 tinha surpreendido no Europeu de Inglaterra, com uma caminhada empolgante até às meias-finais, viajava para a Ásia com expectativas. A bordo, levava uma geração dourada, talhada nos relvados de alguns dos melhores clubes do planeta e já com uma Bola de Ouro para o provar. Mas nesse Mundial distante, emparedado entre Coreia do Sul e Japão, em 2002, também Portugal ficou longe do mínimo exigível.
Foi um torneio atribulado, com demasiadas peripécias para quem já deveria ter aprendido a lição em Saltillo, em 1986. Desde o injustificável estágio em Macau até à lesão de Luís Figo, passando pela agressão de João Vieira Pinto ao árbitro no jogo com a Coreia, não faltaram justificações para uma prestação que não permitiu sequer ultrapassar a fase de grupos.
A comitiva regressou a casa sem glória e com a honra beliscada. Com a perfeita noção de que o país dificilmente poderia aceitar tamanho desnorte.
Desse grupo fazia parte Manuel Gonçalves Gomes, popularizado no futebol como Professor Neca. Era um dos elementos da equipa técnica liderada por António Oliveira e, entre elogios a Pauleta (“O jogador mais inteligente que encontrei”) e agradecimentos a José Mourinho (“Foi ele que me ensinou a estruturar os relatórios de observação”), vai ajudar-nos a perceber o que se passou, no terceiro episódio do podcast do PÚBLICO 8 Mundiais: Eu estive lá, que conta com sonoplastia de Margarida Adão.

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