O Mundial 2022 foi qualquer coisa nunca vista na história do futebol: realizou-se no Inverno e no meio do deserto. O Qatar recebeu o torneio entre Novembro e Dezembro, fora da estação habitual, o Verão, entre muitas questões problemáticas – os milhares de migrantes que morreram a construir os estádios, as leis que criminalizam a comunidade LGBTQ+, as evidências de corrupção no processo de atribuição do torneio a esta pequena e rica nação do Golfo Pérsico. Tudo isso ficou para segundo plano quando a bola começou a rolar.
A selecção nacional, com Fernando Santos ao comando, entrava, mais uma vez, com expectativas elevadas de ir longe e, em comparação com quase todas as outras presenças no torneio, até foi – chegou aos quartos-de-final.
Mas não é isso que fica marcado na memória colectiva dos portugueses. O que ficou desse Mundial foi Cristiano Ronaldo no banco, Gonçalo Ramos a marcar três golos, a eliminação frente a Marrocos e CR7 a caminhar sozinho pelo relvado para fora do Mundial. Ronaldo iria voltar, Fernando Santos, não.
Carlos Dias, enviado da Rádio Renascença ao Qatar, é o convidado do PÚBLICO para o oitavo e último episódio do podcast 8 Mundiais: eu estive lá, para um olhar jornalístico de tudo o que foi este Mundial das arábias, das corridas de camelos, ao drama da eliminação frente a Marrocos e a discussão sobre o papel de Ronaldo na selecção.
A sonoplastia deste episódio é de Margarida Adão, a capa é de João Mota.

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