Homem de confiança do presidente eleito Jair Bolsonaro, Onyx Lorenzoni já não surfa mais em águas calmas no processo de transição para o próximo governo. Trouxe consigo uma carga indesejável, ainda mais para um grupo político que ascende ao poder identificado com a bandeira anticorrupção: ele está sendo investigado por suposto crime de caixa 2. Recebeu sinalizações de trégua do futuro ministro da Justiça, Sergio Moro, mas não adiantou. Precisou o próprio Bolsonaro afirmar que sua caneta BIC pode agir. O vice, general Hamilton Mourão, foi mais direto: comprovada ilicitude, precisa deixar o governo. A declaração esconde algo ainda mais danoso: o núcleo militar do governo Bolsonaro não alimenta muito apreço pela figura de Onyx. Seu papel, como futuro ministro da Casa Civil, será nevrálgico: ajudar a forjar uma coalizão no Congresso que possa comprar as pautas da nova gestão, além de contribuir para a administração do próprio Executivo. Não se sabe se há meramente um “senso de oportunidade”, mas o contexto de fragilidade vivido pelo deputado gaúcho permitiu que vários partidos esbravejassem sobre a forma de condução do futuro ministro na ligação com o Congresso. O “fardo Onyx” estaria ficando pesado demais? Conversamos sobre o tema com o cientista político Rafael Cortez, da Tendências Consultoria. Confira ainda a tradicional coluna “Direto ao Assunto”, com José Nêumanne Pinto.

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