Os ataques de Estados Unidos ao Irã, iniciados no último sábado, provocaram, além da reação iraniana, uma resposta do movimento xiita libanês Hezbollah, que passou a atacar o território israelense, gerando também retaliações do governo de Benjamin Netanyahu contra alvos libaneses. Com isso, a população do norte de Israel, perto da fronteira com o Líbano, passou a viver dias de isolamento. “É uma situação parecida com a época do corona. Não tem exatamente um lockdown, mas as ruas estão vazias, as escolas estão fechadas e as pessoas estão trabalhando em casa”. O relato foi feito por João Miragaya, assessor do Instituto Brasil-Israel e mestre em História pela Universidade de Tel Aviv, direto da região da Galileia Inferior, durante entrevista à Rádio Eldorado. Segundo ele, as sirenes de alerta para as pessoas se protegerem de bombardeios têm sido acionadas de duas a três vezes por dia.
Questionado sobre o contexto político da guerra, Miragaya disse que já não está mais claro se o objetivo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, é derrubar o regime iraniano. Em relação a Israel, a guerra patrocinada pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ocorre num momento de expectativa para as eleições no país, que podem ser realizadas até outubro. “É difícil avaliar o cenário eleitoral. Netanyahu certamente está buscando um fato que lhe permita recuperar a sua popularidade. Se de fato derrubar o regime iraniano, vai colher os louros dessa empreitada, mas é um cenário difícil de se conseguir no curto prazo”, avaliou Miragaya.

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