Sete anos depois de ter entrado na Embaixada do Equador em Londres, com um pedido de asilo político, Julian Assange foi arrastado porta fora e detido pelas autoridades britânicas. O motivo, começou por dizer a Polícia Metropolitana de Londres, era a violação das condições de liberdade sob fiança quando, em 2012, o fundador da Wikileaks se refugiou na embaixada para evitar ser extraditado para a Suécia. No país escandinavo era, então, procurado para responder sobre uma queixa de violação e outra de abuso sexual. Assange negava as acusações e temia que isso facilitasse a sua extradição para os EUA.
Esta quinta-feira, 11 de Abril de 2019, duas horas depois das primeiras declarações, a Polícia Metropolitana de Londres acrescentava que a detenção do jornalista e ativista era feita a pedido das autoridades norte-americanas. E havia já um mandado de extradição emitido. A detenção só foi possível porque o Governo do Equador, encabeçado por Lenín Moreno, retirou a proteção diplomática concedida, em 2012.
Do outro lado do Atlântico, procuradores do estado da Virgínia divulgavam a acusação. Incriminam o jornalista e ativista de conspiração para entrar numa rede secreta de computadores do Pentágono, que resultou na divulgação, em 2010, de milhares de ficheiros diplomáticos e militares sobre as guerras no Iraque e Afeganistão. Entre eles, o vídeo filmado a partir de um helicóptero militar, que mostra soldados norte americanos a matar pelo menos dezoito pessoas, incluindo dois jornalistas da agência Reuters. Chelsea Manning, a ex-analista militar condenada por ser a fonte destes documentos, está novamente presa por se negar a testemunhar em tribunal, contra Assange,
Depois das tentativas fracassadas durante a administração Obama de processar a Wikileaks e o seu fundador por espionagem, a nova investida da Justiça norte americana é considerar um crime, que Assange tenha encorajado Manning, a sua fonte, a fornecer mais informações. “Isso é algo que os jornalistas fazem todos os dias”, disse o advogado e jornalista Gleen Greenwald à estação de rádio norte americana NPR. O responsável pela divulgação do esquema global de vigilância do serviços secretos americanos, através de documentos fornecidos por Edward Snowden, outro denunciante, acrescentou: “Criminalizar isso, o encorajar fontes a arranjar mais documentos confidenciais, é criminalizar o jornalismo.”
Caso seja extraditado, julgado e condenado, Julian Assange sujeita-se a pena de cinco anos de prisão.
Em 2016, entrevistamos Juan Branco, assessor jurídico e membro da sua equipa de defesa. Na altura, o advogado dizia que um julgamento contra Assange sobre as publicações da Wikileaks seria sempre um julgamento contra um jornalista.
Porque é esse o seu papel na organização. O de escrever e publicar os documentos que lhe chegam às mãos. Em 2016, falámos sobre as questões editoriais da Wikileaks; sobre o papel dos whistleblowers na Democracia; sobre o asilo de Assange; sobre as eleições norte americanas de 2016; e sobre o futuro do jornalismo independente.
Hoje republicamos essa entrevista.

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