O empresário Facundo Guerra, que administra restaurantes, bares e casas noturnas badaladas em São Paulo há quase 20 anos, defende restrições à oferta de bebidas alcoólicas de graça exclusivamente ao público feminino e áreas VIPs sem segurança. Para Guerra, práticas como ingresso mais barato e drink à vontade são normalizadas, ainda que criem um contexto social para que crimes sexuais sejam cometidos. “Eu vou te dar exemplos muito práticos. Você vai numa casa noturna e a mulher não paga (entrada) até meia-noite. Quem é o produto? É a mulher. Open bar para mulherada até meia-noite. Quem é o produto? O ambiente está construído de tal forma para que as mulheres sejam vistas e entendidas como produto para que os homens entrem lá, paguem mais caro e tenham acesso a elas, fragilizadas pelo álcool, com seu juízo abalado”, explica.
O CEO do grupo Vegas, que reúne clubes como o Cine Joia, Club Yatch, Lions Nightclub, Riviera e Z Carniceria, lista casos recentes como o do jogador Daniel Alves, preso na Espanha acusado de estupro por uma jovem dentro de uma boate e o da influencer Mariana Ferrer, dopada e abusada em uma balada de Florianópolis em 2018. “Esses lugares vendem privacidade para as pessoas que são muito ricas. Quando você vai na área vip, não tem segurança porque se quer anonimato. Se vendeu para o Daniel e para os homens que o estavam acompanhando naquela noite, que essa era uma área isolada do olhar do outro. Isso não pode mais acontecer, se permitir um contexto de um crime. Tem que ser impedido, de alguma forma, que você dê álcool para mulheres até meia-noite ou que mulher não pague a entrada dentro de um determinado lugar. Isso cria um contexto onde a mulher vai ser abusada”, prevê.

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