Tamara Klink, que se tornou a brasileira mais jovem a cruzar o Atlântico sozinha, faz questão de dispensar o título de desbravadora. A escritora prefere não classificar como conquistas as experiências que tem vivido porque, em alto mar, os títulos não têm valor. Os livros "Mil Milhas", "Crescer e Partir" e, o mais recente, “Nós, o Atlântico em solitário”, ajudam a financiar as expedições que parecem ser seu verdadeiro combustível. A última, em 2021, em plena pandemia, partiu da França em um veleiro de 26 pés comprado pelo preço de uma bicicleta. Três meses e 7 mil milhas depois, Tamara retornou ao Brasil com história para contar.
Com exclusividade, a navegadora conversou com as jornalistas Carolina Ercolin e Luciana Garbin direto da Groenlândia, sobre o convés de seu barco, o Sardinha 2, desfrutando da ‘amena’ temperatura de 5ºC do verão Ártico. Sobre os desafios da jornada, Klink falou do peso morto de façanhas sociais que escolhe deixar em terra firme. “No mar, não importa quantos livros você publicou, quantas pessoas te seguem no Instagram, se você é nova ou velha, se é homem ou mulher, pequena ou forte, o que você já fez ou deixou de fazer… O mar será sempre indiferente a mim, à minha passagem, ao meu barco. Isso para uma mulher é muito libertador”, revela Tamara. Segundo a velejadora, foi um processo de autorreflexão que a fez refutar o título de desbravadora. “A gente vai descobrindo que muitas das coisas que nos limitam são ligadas à cultura, às pessoas que nos rodeiam e às nossas crenças. No barco, não tinha como mantê-las. Eu só tinha essas duas mãos para puxar os cabos, para reparar o motor, para fazer ligações elétricas e, por mais que nem sempre soubesse como resolver os problemas, eu só tinha eu mesma para contar”. O contato com a própria vulnerabilidade diante da força da natureza faz a velejadora sentir medo com frequência. Sentimento que faz questão de revelar no contato com os seguidores nas redes sociais. “Eu adoro que o nome do barco seja sardinha, porque é low profile. Ninguém espera nada de um barco sardinha. E isso dá para mim uma certa liberdade de falar sobre erros. Acho que é um tipo de missão falar sobre meus medos. A coragem não é oposta ao medo. Na verdade, a gente só sabe que tem coragem quando já a usou. O tempo todo eu sinto medo e mesmo assim eu estou indo”, admite.
Ao chegar na Groenlândia, surpreendeu-se com os contrastes do modo vida ancestral sob influências do ocidente, a partir da ligação territorial com a Dinamarca. “Eu tive uma expectativa completamente quebrada. Eu encontro aqui um ambiente que me lembra muito aquele que eu via quando estava na Antártica, na minha infância”, recorda, ao evocar as inúmeras férias que passou no continente gelado ao lado da família. Tamara é filha do velejador Amyr Klink e, com as irmãs, escreveu o livro "Férias na Antártica", em 2010. “Só que há um fator que transforma tudo agora: a presença de pessoas. Os groenlandeses têm uma cultura ligada ao meio ambiente que os rodeia e hábitos culturais que são chocantes pra gente. Eles caçam focas, estão acostumados a ter iceberg no jardim. Tenho várias concepções completamente transformadas. É um povo que sabe da importância de se adaptar aos contextos”, explica.
A Eldorado é o único veículo com quem Tamara conversou desde que deixou o Brasil, há poucas semanas. Confessou que adora rádio e que mantém uma relação afetiva com a emissora que historicamente acompanhou as expedições da família Klink.
O Mulheres Reais vai ao ar às segundas-feiras, a partir das 8h, no Jornal Eldorado. O podcast é apresentado por Carolina Ercolin e Luciana Garbin e está disponível em todas as plataformas de áudio.

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