Neste episódio, Lourenço Pereira Coutinho e Margarida Magalhães Ramalho conversam com a artista plástica e mestre em Estudos Clássicos, Margarida Cunha Belém sobre duas figuras incontornáveis do século XVI português e da cultura europeia desta época. Referimo-nos ao historiador/escritor Damião de Góis e ao pintor/arquitecto Francisco de Holanda.
Beneficiaram ambos da proteção de D. João III. Damião de Gois seria enviado, em 1523, para a Flandres sendo, posteriormente, encarregue de várias missões diplomáticas. Durante os anos que viveu na Europa, privaria de perto com grandes vultos do Humanismo, como Erasmo de Roterdão, em casa de quem viveu, Martinho Lutero, teólogo da Reforma e Albrecht Dürer que o retratou.
D. João III apoiará, também, o pintor Francisco de Holanda enviando-o, em 1537, para Roma para aprender com os melhores e trazer informações sobre a nova arte de fortificar.
Apesar destes dois homens terem tido fortes laços de amizade e do respeito mutuo que os unia, a apreciação que fizeram de Lisboa – para ambos uma das mais importantes cidades da cristandade - não era idêntica. Enquanto o escritor/historiador, na sua ” Descrição da Cidade de Lisboa”, a admirava pela antiguidade e pelo lado glorioso da sua história, o arquitecto/ pintor, precisamente pela mesma razão, considerava que esta, do ponto de vista arquitectónico, não estava à altura das outras capitais europeias e apontava as suas falhas na obra “Da Fábrica que Falece à Cidade de Lisboa”.

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